terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Espinha #01

Pensei com afinco e carinho por semanas como começar essa obra fula. Fiz diversos inícios, porém não conseguiria escolher um deles e transcrevê-lo sabendo que ele perderia em algum aspecto para algum dos outros. Optei singelamente por despejar tinta em uma tira de celulose, sem compromisso. Minto, direciono calculadamente dedos em teclas para escrever essas palavras ralas. Confesso que iludi o leitor de novo (e afirmo que dessas palavras não se tirará nada útil), não dediquei uma única semana pensando em como abrir essa tentativa de (sobre)vivência intelectual. Parece que comecei com o pé esquerdo, assim como alguns já falecidos carbonos parecem ter errado ao contrariar a entropia e se compartilharem elétrons com quem não merecia.

Isto não trata de nada particular. Em fato, não aborda assunto em especial, alusões às histórias gregas antigas ou mesmo ao atual corporativismo moderno e à falta de escrúpulos de quase todos os segmentos sociais. Num mundo kamikaze “isto” (não defini ainda o título, e na falta de um pejorativo-pseudoreiterativo melhor) é como uma minhoca enterrada na terra, com medo de colocar o corporrabo que é pra fora e ser pisoteada. Se tento falar da corrupção em toda a política do Brasil e do mundo esbarro na evidência que a corrupção existe desde a antiguidade por uma necessidade mórbida de manutenção existencial. Se tento reclamar das religiões, não irei derrubar nem mesmo um único tijolo do muro da fé cega dos que lêem.

Agora que já desperdicei algum tempo precioso e me restam somente 45 minutos antes de ir pro aniversário de um amigo que conheço há dois anos, percebo que não existe utilidade na desentrada de temas. Permanecer em cima do muro sobre tudo é mero exercício de político escaldado com medo de tombos vigorosos. É triste manter os lectoespectadores na esperança que algum tema irá surgir, mesmo quando já foi dito e ré-dito que não irá acontecer absolutamente nada. Agora restam 39 minutos.

Estava revisando o texto, corrigindo alguns erros gramaticais de regras que não foram estabelecidas por mim nem por você e que podem facilmente ser contrariadas (ops!) e muitas vezes nem serão percebidos. Não fui eu que fiz as regras, eu apenas estou aqui jogando, esperando pelo dia inebrio que poderei fazer minhas próprias regras, meu próprio jogo e assistir aos jogadores. 34 minutos ainda restam e a leitura continua. É estranho. Não sei mais como enrolar, não deves saber como continuar lendo, e talvez se perguntes porque antes usei o você e agora uso o tu, porque não escolho algo e permaneço com ele até o fim. E eu, docilmente, explico mais uma vez que sou como o líquido que passa pro meio mais concentrado e como o soluto que passa pro meio menos concentrado. Sou indeciso e não me mantenho riste perante minhas decisões ou temporárias (a)firmações.

Mais 30 minutos e um caldo translúcido de suor escorre pelo meu rosto. O aquecimento global está acabando com o vento que antes me refrescava. Maldita mídia, lançou sua jogada de marketing na minha droga de adolescência e agora me faz suportar imenso calor. A Deusa do mundo moderno criou os padres estupradores de criancinhas inocentes, as guerras por petróleo, os esfomeados da África, o trabalho infantil, as doenças, a globalização, o consumismo exaberçado na sociedade. Essa religião desgraçada e seus malditos seguidores alienados que contaminam o mundo merecem uma cova funda, embaixo das malditas ondas de rádio e do câncer.

15 minutos agora e eu não tenho mais saco de manter uma linguagem interessante, de pensar em regras idiotas ou de me preocupar em meter o pau em desgraçados. Merda de mundo hipócrita onde todos os brasileiros de bosta xingam a porra dos corruptos e estacionam no caralho dos cantos proibidos, que acham o “não-roubado” e pegam pra si. Filhos-da-puta os que reclamam desse governo de merda, cheio de corruptos que só querem é ganhar milhões em cima do dinheiro do povo “honesto”, e que na verdade só fazem reclamar pros amigos, pros professores e tentar construir a merda de uma imagem social de certinho. É um filho da puta mesmo. Porque ao invés de ficar falando pra bosta do coleguinha de sala não faz alguma merda útil tipo organizar uma passeata e sair por aí? Por que o país está na merda e mesmo assim um monte de idiotas pagam mais de 200% do valor de algumas mercadorias em imposto e preferem reclamar pros amigos e na hora de fazer algo pra mudar são os primeiros a correr? Medo da falecida ditadura de 64? É muito mais fácil ficar com a merda da bunda sentado na merda da cadeira com o pensamento de merda que o mundo é uma bosta e que só você e mais algumas pessoas prestam nessa bosta de lugar. É cômodo, é mais fácil. Você é corrupto, todos são. Se não é, é um idiota, poderia estar faturando alto agora com o dinheiro de outros otários corruptos de merda e quando fosse pego poderia negar tudo, usar a grana pra pagar um advogado filho de uma puta que sabe que o mundo estaria melhor com você morto, e burlar essas leis fudidas do nosso país que não são consertadas pelos políticos por falta de pressão e interesse, já que eles usam de suas gigantescas valas para não serem presos. VOCÊ É UM MONTE DE BOSTA, DECADENTE, SENTADO NA POLTRONA ESPERANDO A HORA DO CHÃO ABRIR E LHE USAR DE ADUBO. Não fale pros seus amigos que os políticos que vocês ou seus pais idiotas elegeram não estão fazendo nada, porque você também não está. Não vejo ninguém na rua protestando. Não vejo ninguém protestando contra o aumento da merda do leite ou do pão, enquanto o salário possui aumentos ridículos. Não vejo ninguém fazendo reclamações realmente úteis pro mundo além desses cochichos ridículos com amigos como se fossem mudar algo. Os professores universitários continuam faltando aula. Os alunos continuam gaseando aula e mandando outros assinarem atas pra eles. Você continua usando programas piratas em seu computador, depredando sua escola, tratando friamente todos os mendigos do mundo. Se o mundo é uma merda, que todos os culpados se façam culpados e os inocentes se culpem, no fim todos temos o que merecemos.

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